aproveitava
algum tempo de seu trabalho, de cuidar de animais junto com
seus irmãos, para rezar. Ele continuava a rezar, no final
do dia, as orações habituais em casa com seus pais. Foi sua
mãe Maria Vianney, que o levou a crescer na fé e ser devoto
de Maria Santíssima. Ele gostava de ajudar os pais nas caridades
que eles faziam, ajudando os necessitados. Quando jovem, teve
complicações com o serviço militar durante o império napoleônico,
pelo que teve que viver escondido, exposto a graves perigos,
cerca de dois anos. Desde pequeno queria ser padre a todo
custo, mas esbarrou em dois obstáculos: pobreza e sobretudo
a escassa inteligência. Em 1813, com vinte anos, ele ingressou
no seminário Santo Irineu, em Lyon. Todos os cursos que devia
fazer eram dados em latim. O problema surgiu de imediato;
João Maria não entendia nada, e nas provas do primeiro mês
tirou notas baixas, que o desclassificaram, mas estas notas
não eram definitivas. Insiste em entrar na Congregação dos
Irmãos das Escolas Cristãs, mas não é admitido pelas mesmas
razões. Por causa disto, ele foi mandado de volta para Ecully,
para estudar Teologia com seu amigo, padre Balley. O padre
nesse tempo o ensinou na língua Francesa, língua do Vianney,
e no final do curso ele fez as provas em Francês, e foi aprovado.
Assim ele foi readmitido no Seminário. No dia 02 de Julho
de 1814 foi ordenado Subdiácono. João Maria continuou seus
estudos na casa do amigo, padre Balley. Depois da batalha
de Waterloo, quando os austríacos invadiram a região, João
Maria foi a pé por falta de transporte, para Grenoble. Lá,
no dia 13 de Agosto de 1815, ele foi ordenado padre, aos 29
anos de idade. No dia seguinte celebrou sua primeira Missa!!
O padre Vianney começou a sua vida sacerdotal como ajudante
do padre Balley. O padre Balley, continuou a dar ao padre
Vianney os cursos de Moral e Teologia, Em Dezembro de 1817,
o estado de saúde do padre Balley agravou e ele faleceu. Em
Janeiro de 1818 veio o novo pároco para Ecully, mas ele tinha
uma vida totalmente diferente do padre Vianney. O Arcebispo
de Lyon, Arquidiocese sede da Diocese de Ecully, sabendo dessa
diferença pediu ao Vigário Geral Courbon, para informar ao
padre Vianney, que ele seria transferido para a paróquia da
Aldeia de Ars-em-Dombes. Em fevereiro de 1818, uma sexta-feira,
João Maria Batista Vianney chegou em Ars. Veio em uma carruagem,
guiada por um paroquiano de Ecully, onde carregou seus pertences
e uma biblioteca com trezentos volumes. Apesar de pequena
instrução, gostava de ler livros. Um jovem pastor Antonio
Givre, contou a amigos que dois viajantes pararam para lhe
perguntar o caminho. O entendimento foi difícil pois o menino
não sabia Francês e o dialeto de Ars era bem diferente de
Ecully. É tradição ou lenda, de que o padre Vianney
disse ao menino: “Tu me mostraste o caminho de Ars; eu te
mostrarei o caminho do Céu”. Essa predição era enfática, mas
situada no tom romântico da época. Predição, ou não, o certo
é que o pequeno pastor Antonio Givre morreu alguns dias depois
dela. Um monumento de bronze, na entrada de Ars, lembra esse
primeiro encontro. João Maria Batista Vianney era simples,
por isso, quando chegou na paróquia de Ars, devolveu alguns
móveis à proprietária, deixando somente o necessário.
A sua alimentação era muito simples, apenas algumas batatas
cozidas. Ele viveu toda a sua vida dedicada a Deus. Ele repousava
de 02 a 04 horas no máximo por noite. Quando acordava ia a
Igreja, rezava diante do Sacrário e depois ia confessar seus
paroquianos. Eram inúmeras as pessoas que vinham se confessar
com ele. Ele passou a maior parte de sua vida no confessionário.
Chegava a ficar 14 horas confessando os paroquianos. Como
era grande o número de pessoas, ele dividiu em vários confessionários,
um para mulheres outro para homens, outro para doentes, etc.
Ele marcava os horários para cada um. João Maria gostava muito
de São Francisco, por isso, ele estava inscrito na Ordem Terceira
Franciscana. Ele amava os pobres e ajudava sempre que tinha
dinheiro e principalmente na parte espiritual. João Maria
gostava muito também de Santa Filomena, e muitos escritores
vinham ouvi-lo falar dela, e escreviam vários livros. Um deles
é o “Santa Filomena Virgem Mártir” segundo “Santo Cura d’Ars”.
Ele queria construir uma igreja para a Santa Filomena, mas
não conseguiu, e hoje atrás da sua igreja foi construída uma
basílica em honra de Santa Filomena, onde seu corpo incorrupto
repousa num relicário. O seu coração está conservado até hoje
em uma capela dentro de um relicário. O padre Vianney transformou
o lugarejo de Ars em uma aldeia menos atéia, com mais amor
a Deus do que aos prazeres terrenos. Toda vez, antes de começar
a Santa Missa, ele tocava o sino, na torre em que ele construiu,
para avisar que era hora do cristão rezar, lembrar de Deus.
Ele próprio ensinava catecismo para as crianças. João Maria
era de estatura pequena, mas de constituição robusta. Sua
vida de intenso trabalho, pouca alimentação, jejum e penitência,
provocou um enfraquecimento. Aos 73 anos de idade, na terça-feira,
02 de Agosto de 1859, João Maria Batista Vianney recebe a
Unção dos Enfermos. Na quarta-feira, 03 de Agosto, assina
seu testamento, deixando seus bens aos missionários e seu
corpo à Paróquia. Às duas horas do dia 04 de Agosto de 1859,
morre placidamente. Nos dias 04 e 05, trezentos padres mais
ou menos e uma incalculável multidão desfilaram diante do
seu Corpo, em prantos, para despedir. Ele era conhecido como
“Santo Cura d’Ars”, que significa Santo Padre de Ars. A Santa
Madre Igreja o Proclamou “SANTO CURA D’ARS – PATRONO DOS VIGÁRIOS”.
João
Maria Batista Vianney, Santo Cura d’Ars
“Por
sua vida e por sua ação, São João Maria Batista Vianney se
constituiu, para a sociedade de seu tempo, num grande desafio
evangélico (...) Não duvidemos de que ele apresenta, ainda
para nós, este grande desafio evangélico (...) Não, a figura
do Cura d’Ars não passará jamais.”
João
Paulo II, Carta a todos os padres
Quinta-feira
Santa, 06/04/1986 |