Primeira
Romaria da Floresta
Em
torno a 500 pessoas estão sendo esperadas para participar
da primeira Romaria da Floresta que vai se realizar
de 22 a 25 de julho, em Anapu, Pará. A Romaria consistirá
de uma grande caminhada, 55 quilômetros, saindo de Anapu,
no dia 22, e chegando na tarde do dia 24 ao local onde Irmã
Dorothy Stang foi assassinada.
Segundo a CPT de Anapu que organiza o evento, esta Romaria quer
“celebrar o compromisso de defender a vida da floresta,
do povo, do planeta.”
A Romaria sairá às 16 horas do sábado, dia
22, de Anapu, depois de uma celebração inicial e
pernoitará na Comunidade São Pedro. No domingo,
pelas quatro horas da manhã, será reiniciada a caminhada
passando por diversas comunidades que oferecerão café,
almoço e jantar aos participantes. O mesmo vai acontecer
no dia 24 quando no final da tarde chegará ao PDS Esperança,
onde Irmã Dorothy foi assassinada.
No dia 25 pela manhã haverá celebração
eucarística e almoço para todos os romeiros. À
tarde todos irão a Anapu, onde haverá a tradicional
festa do dia dos Trabalhadores e das Trabalhadoras Rurais, organizada
pelo sindicato dos Trabalhadores Rurais de Anapu.
Já se encontram em Anapu para participar da Romaria a Superiora
da Congregação de Notre Dame de Namur, à
qual irmã Dorothy pertencia. e um casal da Áustria,
membros da Pax Christi Internacional.
A
Romaria da Floresta se insere no quadro de atividades desenvolvidas
pela CPT, conhecidas como Romarias da Terra e das Águas.
Hoje, mais de 20 destas Romarias da Terra acontecem Brasil afora
quase todos os anos. As romarias se configuram como um espaço
privilegiado em que fé e vida se mesclam profundamente
e onde o clamor do povo do campo se faz ouvir.
A
Romaria da Floresta pretende refletir sobre os problemas ligados
à Floresta Amazônica. Será ao mesmo tempo
um momento marcante de lembrança da vida e da atuação
de Irmã Dorothy Stang, missionária que levou sua
luta em defesa dos povos da floresta e de uma convivência
harmoniosa do povo com a floresta, até as últimas
conseqüências.
Segundo
Dom Erwin Kräutler, Bispo do Xingu, “A defesa dos direitos
humanos e do meio-ambiente é na região do Xingu,
na Amazônia, um empenho que muitos políticos e empresários
combatem com todos os meios. Calúnias, difamações
e ameaças de morte são as armas que empregam na
tentativa de calar a quem faz ouvir sua voz contra as agressões
à dignidade humana, em favor da sempre protelada reforma
agrária, contra a destruição inescrupulosa
do meio-ambiente, contra a pilhagem, a depredação
e o saque das riquezas naturais, contra um modelo de desenvolvimento
e progresso que, sem um mínimo respeito à pessoa
humana e às comunidades locais, somente visa os interesses
de uma poderosa oligarquia à procura de lucros imediatos
e fabulosos.”
Irmã
Dorothy viveu vinte e três anos na Transamazônica
e morreu assassinada em Anapu, PA, no dia 12 de fevereiro de 2005.
Sua morte teve extraordinária repercussão nacional
e internacional. Graças a essa repercussão, em dezembro
de 2005, os executores do crime Raifran Neves Salles, o Fogoió,
e Clodoaldo Batista, conhecido como Eduardo, foram condenados
respectivamente a 27 e 17 anos de prisão. No dia 18 de
abril de 2006, foi condenado o intermediário do crime Amair
Feijoli da Cunha, o Tato, a 18 anos de reclusão. Também
foram presos os mandantes do assassinato de Irmã Dorothy,
Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida e Regivaldo Pereira Galvão,
Taradão. A este último foi concedido pelo Supremo
Tribunal Federal – STF, no dia 29 de junho de 2006, hábeas
corpus para responder em liberdade ao processo. Está indiciado
como um dos formadores do consórcio responsável
por articular a morte da missionária. O mesmo benefício
não foi estendido a Bida, a quem foi negado o pedido de
hábeas corpus.
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