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D.
Demétrio Valentini
Esta
semana abre um espaço privilegiado para os padres do Brasil.
De segunda a quarta, a ANPB - Associação Nacional
dos Presbíteros do Brasil - realizou sua sexta assembléia
eletiva, em Campinas, São Paulo. De quarta até a próxima
terça-feira, está se realizando em Itaici o décimo
primeiro ENP - Encontro Nacional dos Presbíteros, promovido
pela Comissão Nacional dos Presbíteros, ligada diretamente
à CNBB.
Com
estas notícias, em primeiro lugar dá para perceber
que os padres estão organizados. E isto é bom. A começar
pela ANPB. Como o próprio nome sugere, é uma Associação.
E como tal, de livre iniciativa dos próprios presbíteros.
Éuma originalidade dos padres do Brasil, terem uma articulação
nacional conduzida por eles mesmos. Como estamos habituados a ver
o padre cumprindo ordens da Igreja, agindo em nome dela, obedecendo
a normas estabelecidas pelo direito canônico, pode estranhar
a autonomia que se traduz nesta instituição de caráter
civil, como é a ANPB.
De fato, no
início Roma manifestou algumas apreensões diante da
iniciativa dos padres brasileiros. Mas logo foram superadas, diante
da maturidade demonstrada pela ANPB, e da inequívoca demonstração
de responsabilidade com que a associação foi levando
adiante suas iniciativas, todas voltadas para incentivar a união
entre os padres, o cuidado com sua situação humana,
o esforço para a formação permanente, a motivação
para consagrarem sua vida a serviço de sua missão
na Igreja.
Terminada
a assembléia, os membros da ANPB foram para Itaici, onde
estão participando do 11º encontro nacional dos presbíteros,
este promovido oficialmente pela CNBB, através de sua Comissão
Nacional de Presbíteros.
O fato logo
evidencia que as duas iniciativas não são paralelas,
nem contrapostas, mas complementares. Ambas visam fortalecer a identidade
própria dos presbíteros, em vista do melhor cumprimento
de sua importante missão na Igreja e no mundo.
No imaginário
popular, a figura do padre possui uma configuração
muito forte e definida. Na verdade, ele está na linha de
frente para demarcar a presença da Igreja na sociedade. Sobre
os ombros do padre acabaram caindo as incumbências mais pesadas
da coordenação da comunidade eclesial, e da representação
da Igreja junto à opinião pública. O padre
encarna visivelmente a Igreja.
Em decorrência
desta maneira tradicional do padre exercer sua missão, se
estruturou uma visão monolítica de sua figura, dentro
da qual espontaneamente a opinião pública enquadra
todos os padres.
As conseqüências
deste fato são diversas, e estão sendo cada vez mais
refletidas e revisadas pelos próprios padres. Uma delas salta
aos olhos: quando acontece um fato negativo a respeito de um padre,
logo é generalizado, como se ele colocasse em questão
o conjunto de todos os padres.
A imprensa facilmente
divulga fatos negativos envolvendo padres, exatamente pelo potencial
de repercussão que trazem em si mesmos, por serem provenientes
de pessoas que carregam esta forte identificação sociológica.
Basta um acontecimento negativo de um padre, para logo se colocar
suas conseqüências no plural, como se ele comprometesse
todos os padres. Enquanto a dedicação cotidiana de
grande maioria nem é percebida, ou é dada como se
fosse simplesmente dever de ofício.
Tanto
a Igreja, como a sociedade, estão devendo um melhor reconhecimento
da importância da missão que os padres exercem junto
ao povo. |