Mortalidade infantil cai mais
de 14% em áreas cobertas pelo Saúde da Família
Em dois anos, mais 17,5 milhões de brasileiros
foram incluídos no Programa Saúde da Família
(PSF). Essa ampliação de quase 32% na cobertura do
PSF foi fundamental na melhoria de um importante indicador de saúde:
a mortalidade infantil. Nas regiões assistidas pelas equipes
multiprofissionais, o índice de mortes de crianças
no primeiro ano de vida caiu 14,69%, no período de 2003 e
2004.
Dados do Ministério da Saúde mostram
que, em dezembro de 2002, a taxa de mortalidade infantil, nas localidades
com PSF, era de 31,3 óbitos por mil nascidos vivos. Ao final
do ano passado, a taxa baixou para 26,7 óbitos. Houve também
uma redução importante nos óbitos relacionados
à diarréia e à infecção respiratória
aguda, duas das principais causas de mortes de crianças.
Nas áreas de atuação do programa, a mortalidade
de crianças com até um ano por diarréia caiu
36,36% entre o final de 2002 e dezembro do ano passado. As infecções
respiratórias caíram 24,24% no mesmo período.
Esses dados mostram que o governo federal está
correto em priorizar o Programa de Saúde da Família
como a principal iniciativa de atenção básica
à saúde da população brasileira. Entre
janeiro de 2003 e maio deste ano, foram aplicados mais de R$ 4 bilhões
na atenção básica - mais que o dobro em relação
ao mesmo período anterior. A cobertura do programa aumentou
de 54,7 milhões, em 2002, para 72,4 milhões, em maio
de 2005.
As equipes que compõe o programa são
multidisciplinares (médico, enfermeiro, auxiliar de enfermagem
e agentes comunitários) e atuam nas comunidades prestando
serviços de assistência básica e orientação
sobre os cuidados com a saúde. O PSF modificou a lógica
de atenção à saúde - antes focada na
cura e sempre envolvendo atendimento hospitalar - e instituiu uma
estratégia mais voltada para a prevenção, promoção
e recuperação da saúde.
Houve também acréscimo no número
de equipes e nos municípios cobertos, no mesmo período.
Foram criadas 5.712 equipes e incorporados 630 novos municípios,
ou seja, um aumento de 15,14% na cobertura territorial. Os municípios
são responsáveis por manter o trabalho do Saúde
da Família, mas o governo federal financia até 50%
do custeio das equipes e investe em programas de capacitação.
A ampliação do programa foi possível
devido a um conjunto de iniciativas promovidas pelo Ministério
da Saúde. Uma delas foi aumentar de 30% para até 60%
o percentual que o ministério financia para o custeio de
cada equipe de Saúde da Família. A medida permitiu
que os municípios aumentassem a quantidade equipes e como
conseqüência houve a geração de 50 mil
empregos diretos.
O governo federal também investiu na expansão
do Programa Agentes Comunitários de Saúde (PACS).
Em dois anos e meio foram incluídas 10 milhões de
pessoas no programa. Houve o acréscimo de 21,7 mil agentes
passando de 175,4 mil para 197,2 mil. Além disso, o ministério
ampliou os repasses para custeio da atenção básica
em saúde e promoveu mudanças no financiamento. O valor
per capita/ano investido para procedimentos de atenção
básica (Piso de Atenção Básica Ampliado)
subiu de R$ 10,50 para R$ 12.
O
ministério ainda reajustou em 20% os valores dos incentivos
de custeio do Saúde da Família, do PACS e das equipes
de Saúde Bucal. Adotou também nova tabela de faixas
de cobertura populacional para o cálculo dos incentivos para
os municípios com mais de 100 mil habitantes, instituiu o
incentivo adicional do PACS (correspondente à 13ª parcela
paga aos agentes) e permitiu a relação de uma equipe
de saúde bucal para uma do PSF.
Pesquisa
Um estudo inédito apresentado pelo Ministério
da Saúde revela que os investimentos feitos no Programa Saúde
da Família têm impacto maior na redução
da mortalidade infantil que o acesso à água tratada
e a leitos hospitalares. De acordo com a pesquisa "Uma Avaliação
do Impacto do PSF na Mortalidade Infantil no Brasil", para
cada 10% de aumento na cobertura populacional do PSF há uma
redução média de 4,6% na taxa de mortalidade
infantil (TMI). No caso do abastecimento de água, a expansão
da cobertura em 10% representa queda de 3% na TMI. Já a ampliação
do acesso a leitos hospitalares em 10% reduz a mortalidade em 1,4%.
A importância do Programa Saúde da
Família na queda da TMI no Brasil só não é
maior do que a do acesso à educação e, principalmente,
da alfabetização das mulheres. Nesse caso, uma ampliação
de 10% significa diminuir a mortalidade das crianças com
até um ano de idade em 16,8%.
O estudo analisou um conjunto de dados entre os
anos de 1990 a 2002. Nesse período, a taxa de mortalidade
infantil brasileira caiu de 49,7 óbitos por mil nascidos
vivos para 28,91 óbitos. Isso representou uma redução
de 42%. Nesse intervalo, o Programa Saúde da Família
saiu do zero para uma cobertura de 54,9 milhões de brasileiros.
A pesquisa aponta também o PSF tem maior
impacto na redução do índice nas regiões
Norte/Nordeste (que possuem padrões semelhantes de mortalidade
infantil) que nas regiões Sul/Sudeste/Centro-Oeste.
Apesar de apontado como estratégia correta
para melhorar a saúde da população, o Programa
Saúde da Família jamais havia sido objeto de um estudo
com profundidade sobre seu impacto na qualidade de vida da população.
Para desenvolvê-lo, os técnicos do Ministério
da Saúde analisaram dados de todos os estados brasileiros,
antes e depois da criação do PSF, em 1994.
Mais
informações sobre a pesquisa
www.saude.gov.br
Editado
pela Secretaria de Comunicação de Governo e
Gestão Estratégica da Presidência da República
Nº 330 - Brasília, 08 de julho de 2005
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